No último final de semana tive uma experiência interessante como docente na Faculdade Senac de Pelotas, ministrando a disciplina de "Marketing e Comunicação Digital". Interessante, sobretudo, para 'medir a febre' dos profissionais de marketing do interior do estado. Enfim, aqueles que, em tese, estão menos expostos à grande onda de mudanças que vem sendo provocada pela digitalização das empresas e do marketing. Em tese, eu disse.
Existe um cacoete na nossa indústria. Uma distorção, na verdade, sobre o que é, de fato, o marketing digital. Tenho falado sobre isto em algumas palestras e extrapolei de vez as minhas teses na sala de aula sábado passado. Mostrei aos alunos mais de 60 casos de estratégias digitais de desenvolvimento de produtos, de formação de preços, de distribuição e, também, de comunicação. Tudo para que ficasse claro, de uma vez por todas, que marketing digital não é (SÓ) fazer campanha com hotsite, banner, e-mail marketing, link patrocinado ou mídias sociais. Pois este é o peixe que muitos de nós, profissionais e agências, venderam ao mercado nos últimos anos. Não vou discutir o porquê, mas isso tem sido feito e, no meu entendimento, de forma errada.
Não precisamos explicar os 60 casos aqui, mas apenas para ilustrar: quando a Camiseteira decidiu desenvolver seu mix de produtos por meio da colaboração via internet com os consumidores, isso não se configurou como uma estratégia de marketing digital com enfoque no Produto? E quando o Radiohead disponibilizou um disco inteiro para download de modo que os consumidores decidiriam quanto pagar para baixar o disco, não foi utilizada uma estratégia de marketing digital com enfoque em Preço? E o Atacado Martins, que sempre utilizou canais de vendas pessoais, ao lançar o B2B não estava utilizando uma estratégia de marketing digital baseada em Distribuição? Não vou apresentar exemplo de estratégia de marketing digital com enfoque em Comunicação, por razões óbvias.
Voltando para a sala de aula, foi para isso que tentei chamar a atenção dos alunos. E gostei do resultados. Após a tour de force de estudos de caso, desafiei a turma a articular estratégias de marketing digital para resolver situações problemáticas em 4 modelos de negócios diferentes, aplicando táticas digitais em pelo menos 2 dos 4Ps. Um grupo conseguiu atacar distribuição e comunicação. Dois se limitaram a estratégias estritamente promocionais, o que é absolutamente normal. Mas um "saiu da caixa", para minha imensa satisfação, aplicando táticas digitais nos 4Ps.
A situação hipotética era a seguinte: o grupo representava a equipe de marketing de uma empresa de transporte coletivo intermunicipal, que vinha enfrentando ameaças de substituição, devido à má qualidade dos serviços e longa duração da viagem, gerando reclamações especialmente de estudantes de outras praças. Sendo jovens de classe média-alta, começaram a substituir o ônibus por automóveis particulares.
A proposta do grupo foi, resumidamente: criariam uma linha de ônibus exclusiva para estudantes, sendo que os veículos teriam conexão bluetooth para distribuição de downloads diversos aos passageiros via celular (tática digital de PRODUTO). Quem acessasse o hotsite da linha de ônibus poderia se cadastrar e ganhar um cupom de desconto para compra de passagem via internet (tática digital de PREÇO), sendo que a empresa disponibilizaria vendas on-line para os estudantes (tática digital de DISTRIBUIÇÃO). A nova linha seria comunicada por meio de SMS marketing (cadastro obtido em pesquisa de campo), hotsite e e-mail marketing (táticas digitais de COMUNICAÇÃO). Simples, não? Voltei para Porto Alegre com a sensação de dever cumprido.
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Seria legal ministrar uma aula dessas no F5, hein?!
Abraço!